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COP17 sobre biodiversidade entra na reta final sem perspectiva de consenso
COP17 sobre biodiversidade entra na reta final sem perspectiva de consenso / foto: STRINGER - AFP

COP17 sobre biodiversidade entra na reta final sem perspectiva de consenso

A poucas horas do encerramento oficial da conferência internacional sobre biodiversidade em Yerevan, a COP17, os países parecem longe de um acordo sobre pontos fundamentais da luta pela preservação da natureza e podem continuar negociando durante a noite.

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Quase duas semanas após o início da conferência na Armênia, persistem divergências importantes que levaram ao adiamento da sessão plenária da manhã e da reunião posterior dos Estados-membros.

Entre os pontos de discordância estão os subsídios a atividades prejudiciais, como a exploração de petróleo, a maneira de financiar melhor a biodiversidade e o aumento das contribuições das empresas a um fundo da ONU para a conservação, que atualmente conta com recursos muito limitados.

As discussões continuam em pequenos grupos de trabalho. "Estão trabalhando sem descanso", declarou à AFP Guido Broekhoven, observador das negociações da ONG WWF International.

"Mas, ao mesmo tempo, constatamos que várias questões fundamentais continuam pendentes", acrescentou.

- 'Balanço mundial' -

As discussões se concentram particularmente na adoção de um "balanço mundial" dos avanços alcançados em matéria de biodiversidade, muito aguardado, mas ainda pendente, apesar do otimismo inicial quanto à sua aprovação até sexta-feira (30).

O balanço se baseia nos avanços alcançados após um pacto de 2022, denominado Kunming-Montreal, considerado o equivalente do Acordo de Paris sobre o clima.

Esse pacto estabelece 23 metas que devem ser cumpridas até 2030, como a proteção de 30% das terras e dos oceanos, o combate à poluição e às espécies invasoras, além da recuperação de ecossistemas degradados. No entanto, quase todas estão atrasadas.

O balanço mundial pretende recolocar os países no caminho das metas, com propostas concretas, mas eles enfrentam dificuldades especialmente no capítulo dedicado aos subsídios concedidos a atividades prejudiciais, estimados em 2,6 trilhões de dólares (R$ 14 trilhões) por ano.

Outro ponto importante é definir quem deve pagar para alcançar as metas financeiras estabelecidas para 2030.

Trata-se de uma questão muito delicada em um momento em que as finanças públicas estão deterioradas em todo o mundo.

A União Europeia tenta convencer as grandes economias emergentes, incluindo a China, a integrar a lista oficial de doadores, uma iniciativa que até agora fracassou.

"É uma questão realmente difícil de resolver", declarou Broekhoven, que previu a falta de consenso sobre o tema em Yerevan.

- Fundo Cali -

Os esforços para revitalizar o "Fundo Cali", um mecanismo da ONU destinado a compartilhar os benefícios gerados por empresas que exploram dados genéticos provenientes de plantas e outros organismos, também têm enfrentado dificuldades.

Na última conferência sobre biodiversidade, realizada na Colômbia em 2024, as negociações terminaram sem um acordo sobre o financiamento da conservação. As discussões foram retomadas em Roma, no início de 2025, onde finalmente se chegou a um acordo.

Na COP17, também deverá ser decidido nesta sexta-feira se Panamá ou Equador sediará a próxima conferência sobre biodiversidade, em 2028.

Na véspera do encerramento da conferência, a responsável pela biodiversidade da ONU, Astrid Schomaker, havia declarado que os países "deveriam mostrar ousadia e inovação para encontrar um entendimento".

"Agora devemos encontrar a perseverança necessária para ir até o fim e concluir nossas discussões sobre todos os temas cruciais que nos ocupam", acrescentou Schomaker, secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica.

D.Garcia--PI