Autoridades argentinas negam entrada de Flávio Bolsonaro em seu território
As autoridades argentinas desmentiram, nesta terça-feira (27), versões divulgadas pela imprensa local segundo as quais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no domingo em segundo turno pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria tentado deixar o Brasil passando pela Argentina.
O portal argentino Infobae havia informado que a companhia aérea Baires Fly teria preparado um voo fretado para o senador a partir de território argentino com destino aos Estados Unidos.
"É tudo falso, ele nunca entrou", disse à AFP uma fonte do Ministério da Segurança. A Direção Nacional de Migrações esclareceu por meio de um comunicado que "não registra qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina".
"Em razão da escalada midiática sobre a presença de um avião privado no aeroporto internacional de Iguazú (Misiones), as autoridades procederam ao início dos controles correspondentes à aeronave e à tripulação", diz a nota.
"A documentação da empresa está em ordem e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro", acrescentou Migrações.
Flávio informou na segunda-feira, em um vídeo, que a Justiça havia proibido sua saída do país.
"Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração", disse o senador de direita.
A AFP consultou a Polícia Federal e o coordenador de campanha de Bolsonaro sobre eventuais movimentos do líder para deixar o Brasil, mas não obteve resposta imediata. A Baires Fly também não respondeu.
O porta-voz do presidente Javier Milei, Adrián Ravier, disse nesta terça-feira que "não há nenhum pedido de asilo" de Bolsonaro.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, ordenou nesta terça-feira que a PF investigue um possível financiamento estrangeiro da campanha do senador conservador.
Flávio não reconheceu o resultado do segundo turno que permite ao presidente Lula permanecer no poder até 2030.
Milei, que apoiou Bolsonaro em sua campanha presidencial, não se manifestou sobre a reeleição de Lula, a quem já chamou de "ladrão" e "corrupto", o que levou a uma crise diplomática inédita entre os principais parceiros comerciais do Mercosul.
"Em 2023, quando Milei foi eleito presidente, não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente", afirmou Ravier. "Não vai haver comunicado oficial" a respeito do resultado das eleições no Brasil, disse o porta-voz.
R.Brown--PI