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Houthis do Iêmen atacam sede do governo no sul do país
Houthis do Iêmen atacam sede do governo no sul do país / foto: Sofiane Alsaar - AFP

Houthis do Iêmen atacam sede do governo no sul do país

Os houthis pró-iranianos do Iêmen atacaram, nesta quinta-feira (15), a sede do governo iemenita reconhecido internacionalmente em Aden, e a Arábia Saudita acusou o Irã de incentivar a escalada do conflito, que afeta seu território em boa medida.

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A retomada dos combates entre os houthis e o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente, apoiado pela Arábia Saudita, começou em julho, e em setembro, este grupo, alinhado ao Irã, se apoderou de zonas cruciais da costa iemenita no Mar Vermelho, ao longo do Estreito de Bab el Mandeb.

Esta via marítima tem importância vital para a Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, diante do bloqueio imposto pelo Irã ao Estreito de Ormuz, mais de seis meses depois do início da guerra no Oriente Médio, que impactou os mercados de combustíveis, afetando os preços do petróleo, cotados acima dos 100 dólares.

Nesta quinta, um ministro iemenita, que pediu anonimato, disse à AFP que os houthis atacaram um centro de comando da coalizão liderada pela Arábia Saudita, localizado no palácio presidencial iemenita na cidade de Aden, no sul do país.

Segundo a fonte, três mísseis atingiram um centro de comando do exército iemenita e outros dois alcançaram um centro de comando da coalizão liderada por Riade, dentro do complexo presidencial.

Mais cedo, o ministro da Informação iemenita tinha dito que tanto o primeiro-ministro iemenita, Shaya Mohsen Zindani, que estava no prédio, quanto membros de seu gabinete estavam sãos e salvos.

O ataque deixou pelo menos quatro mortos e uma dezena de feridos, disseram à AFP fontes governamentais.

Zindani informou pelas redes sociais que seu governo "continua cumprindo suas funções".

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que suas forças "alvejaram o quartel de operações militares do inimigo saudita" dentro do palácio, e reforçou que "qualquer presença militar saudita" representa um "alvo legítimo".

Um jornalista da AFP viu fumaça e várias ambulâncias dirigindo-se para a área do palácio, que foi abandonada.

O Executivo reconhecido pela comunidade internacional teve que recuar e se estabelecer em Aden em 2015, um ano depois do início do conflito, após ter sido expulso pelos houthis da capital, Saná.

Segundo as forças governamentais do Iêmen, os houthis também lançaram "vários mísseis balísticos" contra Marib, localidade do centro do país que suas tropas controlam.

- "Escalada incentivada pelo Irã" -

Além da ofensiva no Iêmen, os houthis também intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita, sobretudo desde o começo de outubro. Para o reino, isto se deve à influência do Irã.

"Acreditamos que a escalada iniciada pelos houthis (...) é incentivada pelo Irã", declarou à imprensa, nesta quinta-feira, o vice-ministro saudita encarregado da diplomacia, Rayed Krimly.

Segundo ele, Teerã continua "armando, treinando e apoiando [os houthis], violando as resoluções do Conselho de Segurança da ONU".

Embora o reino continue em contato "direto" com o Irã, não tem se comunicado com os houthis há várias semanas. Segundo o vice-ministro, quando as hostilidades ganharam força, os combatentes se recusaram a participar de uma reunião proposta pelo governo omani, que atua como mediador.

Os ataques contra infraestruturas sauditas, instalações petrolíferas e aeroportos são quase diários.

Desde o início de outubro, os houthis atacaram o aeroporto internacional da capital saudita 20 vezes, segundo a coalizão internacional anti-houthi chefiada por Riade.

Seu porta-voz, general Turki al Malki, instou os combatentes pró-iranianos a "cessar todas as operações terroristas contra civis e instalações civis".

Ele também destacou, sem mencioná-los explicitamente, o papel desempenhado por "atores regionais" que permitiu que os houthis conseguissem "mísseis balísticos, drones de ataque e drones suicidas, assim como lanchas rápidas carregadas com explosivos".

- Cúpula UE-Golfo adiada -

Nesta quinta, o aeroporto da capital saudita permaneceu fechado e a coalizão afirmou ter interceptado um míssil na região de Medina, cidade santa do islã. À noite, declarou ter interceptado outro no leste do país.

Os houthis insistem que evitarão ataques contra as cidades sagradas de Meca e Medina e negam estar por trás de bombardeios naquela região.

Nesse contexto tenso, os Estados-membros da UE anunciaram o adiamento de uma cúpula prevista para 24 de outubro em Riade com os países do Golfo.

Outros eventos, incluindo três jogos de futebol programados para esta semana, também foram adiados.

No Iêmen, apesar dos ataques aéreos sauditas, as forças governamentais enfrentam dificuldades para recuperar os territórios conquistados pelos combatentes pró-Irã, que, entre outras coisas, reforçaram o controle sobre Taiz, a terceira maior cidade do país.

O Programa Mundial de Alimentos alertou, na quarta-feira, que os combates impediram a organização de atender cerca de 800.000 pessoas.

"Os hospitais e centros de saúde estão lotados", alertou, por sua vez, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, mencionando um aumento "sem precedentes" no número de feridos de guerra.

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T.Reed--PI