Quase 140 migrantes mortos em naufrágio no Djibuti
Pelo menos 139 migrantes morreram, incluindo 15 crianças, e 84 estão desaparecidos após o naufrágio de uma embarcação que partiu do Djibuti em direção ao Iêmen, informou neste domingo (11) a agência de migrações da ONU.
Dezenas de milhares de migrantes percorrem todos os anos a perigosa "rota do leste", que liga a região do Chifre da África ao Iêmen pelo Estreito de Bab el-Mandeb, com o objetivo de chegar aos ricos países do Golfo.
A embarcação virou na noite de 8 para 9 de outubro, perto de Guhere, ao norte da cidade djibutiana de Obock, segundo um comunicado da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que cita sobreviventes.
O barco estava sobrecarregado, com 305 pessoas a bordo, a maioria etíopes, afirmou à AFP o chefe da missão da OIM no Djibuti, Alexandre Coissac.
"Os sobreviventes disseram que a embarcação começou a tombar para trás assim que eles subiram a bordo", disse.
Próximo ao Iêmen, o Djibuti margeia o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia e a Europa através do Mar Vermelho e do Canal de Suez.
Atualmente, a passagem é cenário de hostilidades devido à retomada do conflito no Iêmen entre os houthis pró-Irã e o governo reconhecido pela comunidade internacional, apoiado pela Arábia Saudita.
Apesar da violência, a OIM contabilizou que, desde 10 de setembro, mais de 20.000 pessoas chegaram ao Djibuti procedentes da Etiópia, onde também foram retomados os combates entre o exército federal e os rebeldes da região do Tigré.
"O objetivo continua sendo o mesmo: chegar aos países do Golfo", disse Coissac.
- 2025, o ano mais letal -
Segundo a OIM, este é um dos naufrágios mais letais dos últimos anos nas costas do Djibuti.
"Esta tragédia nos lembra de forma brutal os perigos aos quais os migrantes estão expostos ao longo desta rota migratória", que empreendem com a esperança de encontrar melhores "oportunidades econômicas", disse o chefe da missão.
O balanço, inicialmente estabelecido em 109 vítimas fatais, subiu para 139 após a descoberta de outros 30 cadáveres.
Além disso, 84 pessoas continuam desaparecidas e as operações de busca prosseguem. Mais de 80 pessoas sobreviveram ao naufrágio, todas de nacionalidade etíope, segundo a OIM.
Em 2025, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram na "rota do leste", o que representa o ano com mais óbitos registrados nesta via pela OIM.
A crescente instabilidade no Oriente Médio, provocada pela guerra desencadeada pelos ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã e a retomada do conflito no Iêmen, não reduziu o fluxo migratório, destaca a agência da ONU.
Entre 1º de janeiro e 1º de outubro de 2026, as equipes da OIM no Djibuti registraram quase 178.000 chegadas de migrantes procedentes da Etiópia.
M.Martin--PI