Separatistas vencem na província canadense de Quebec (estimativas)
Os separatistas de Quebec, única província francófona entre as dez do Canadá, venceram as eleições desta segunda-feira (5), com a promessa de organizar um referendo sobre a independência, apontam as primeiras estimativas divulgadas pela imprensa canadense.
O retorno dos separatistas ao poder representa um desafio para o primeiro-ministro Mark Carney, em meio à tensão comercial com Washington e às tentativas separatistas da província petroleira de Alberta.
Quebec, de 9 milhões de habitantes, elegeu os 127 deputados de sua Assembleia Nacional. A rede pública CBC e veículos privados projetaram que o Partido Quebequense formará o próximo governo provincial, mas ainda não estava claro se ele terá o controle da maioria legislativa.
O partido, que não governa a província desde 2014, liderava várias pesquisas, com cerca de 30%, à frente dos liberais e dos conservadores e muito à frente da Coalizão Avenir Québec, partido de centro-direita no poder desde 2018.
Após votar em Montreal, o líder do partido separatista, Paul Saint-Pierre Plamondon, mostrou-se "ansioso e sereno". "Vocês têm nas mãos a mudança que desejam", acrescentou, dirigindo-se aos eleitores.
- Referendo -
O partido prometeu organizar um novo referendo sobre a independência de Quebec depois que Donald Trump deixar a Casa Branca, em janeiro de 2029.
A guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá "não oferece um clima tranquilo para refletir sobre o nosso futuro", explicou o líder separatista.
Alexia Gómez, 19, que votou pela primeira vez, considera a atual relação entre Washington e Ottawa preocupante. “Se Quebec se tornar independente, ficaríamos politicamente, economicamente e militarmente vulneráveis”, disse à AFP.
A primeira-ministra de Quebec, Christine Fréchette, fez hoje uma última tentativa de convencer os eleitores, ao perguntar se eles querem um governo que os "leve a uma campanha de referendo na qual tudo fique de cabeça para baixo", ou se "querem um governo que se concentre em garantir uma economia estável”. As pesquisas mostram que o apoio ao seu partido despencou nas últimas semanas.
A província francófona já organizou dois referendos de independência, em 1980 e 1995. No último deles, o "sim" a favor da separação perdeu por uma pequena margem.
A questão da independência sempre dividiu profundamente os quebequenses, embora a ideia de organizar um novo referendo tenha estado fora do debate político nas últimas três décadas. Uma pesquisa recente revelou que apenas 31% dos habitantes de Quebec são favoráveis à independência.
Segundo analistas, a preferência pelo Partido Quebequense se deve a um desejo de mudança devido à perda de poder aquisitivo e ao desmonte da saúde pública mais que às aspirações separatistas.
Antes de entrar hoje no Parlamento em Ottawa, Mark Carney disse que iria trabalhar com qualquer governo que fosse eleito em Quebec. Saint-Pierre Plamondon já insinuou que entende o vínculo com Ottawa como "uma relação de força". Se Quebec "não for respeitada", declarou, "não vou esconder que isso é inaceitável".
R.Robinson--PI