Cifras sobre as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA
Os americanos vão sancionar Donald Trump dois anos depois de seu retorno à Casa Branca? Ou o republicano vai conseguir desmentir as pesquisas e manter uma margem de manobra para o restante de seu mandato?
Em 3 de novembro, cerca de 250 milhões de eleitores nos Estados Unidos serão chamados a decidir a próxima maioria no Congresso, durante as eleições de meio de mandato.
Organizadas dois anos depois das eleições presidenciais, as "midterms" tradicionalmente se tornam um referendo sobre o ocupante da Casa Branca e muito raramente a seu favor.
- 435 deputados e 35 senadores -
Nos Estados Unidos, um mandato de representante dura dois anos.
Portanto, o conjunto dos 435 assentos da Câmara de Representantes voltará a estar em jogo em 3 de novembro.
Em 2024, os republicanos tinham obtido ali uma maioria de cinco assentos.
Os democratas só precisam fazer alguns distritos eleitorais penderem para o seu lado para retomarem o controle da Câmara Baixa.
Em 2018, durante as "midterms" de seu primeiro mandato, Donald Trump e os republicanos perderam 41 assentos.
Em 2022, Joe Biden e os democratas perderam nove.
Em 2010, Barack Obama perdeu 63 assentos.
Os senadores, por sua vez, são eleitos para um mandato de seis anos e um terço deles é renovado a cada dois anos.
Do total de 100 assentos, 35 serão decididos em 3 de novembro.
O partido de Donald Trump conta atualmente com 53 senadores, mas a oposição democrata também aspira à maioria, dois anos depois de tê-la perdido.
O mandato dos novos eleitos para o Congresso começará em 3 de janeiro.
Em todo o país, 36 cargos de governador também estão em jogo, enquanto serão organizados 145 referendos em vários estados, sobre temas que vão do direito ao aborto a uma reforma do imposto de renda.
- Nove pontos de diferença -
Uma pesquisa recente da YouGov/The Economist atribui uma vantagem de nove pontos em escala nacional aos candidatos democratas frente aos republicanos entre as pessoas já inscritas no censo eleitoral.
Segundo a mesma pesquisa, mais que o dobro dos eleitores que se declaram independentes dizem que vão votar em democratas em comparação com os que vão votar em um republicano (59% contra 27%).
Um dado que se deve à popularidade do presidente Donald Trump, que beira os 38% de opiniões favoráveis, segundo a média das pesquisas compiladas pelo especialista Nate Silver, frente a quase 60% de opiniões desfavoráveis, isto é, uma diferença de 22 pontos.
"Neste ponto de seu primeiro mandato, Trump estava em -11, enquanto Joe Biden se situava em -8,8 no mesmo momento de sua Presidência", destaca Nate Silver.
Falta ver como estas pesquisas vão se traduzir nas urnas: a pouco mais de um mês das eleições, o site especializado Decision Desk HQ atribuía 75% de probabilidades aos democratas de recuperar a maioria na Câmara de Representantes, e 55% de probabilidades no Senado.
- Gastos publicitários de US$ 11,6 bilhões -
O dinheiro é o ponto nevrálgico da guerra na política americana e 2026 não é uma exceção: estão previstos no total cerca de 11,6 bilhões de dólares (R$ 57,8 bilhões) de gastos publicitários, segundo a agência AdImpact.
O número é muito superior aos valores de 2022, de US$ 8,9 bilhões (R$ 46,4 bilhões, na cotação da época), e superior inclusive ao total de 2024, um ano que, no entanto, foi de eleição presidencial.
Só em Ohio, um estado industrial do norte onde Donald Trump venceu com folga em 2024, são esperados cerca de US$ 750 milhões (R$ 3,7 bilhões) de gastos nas campanhas para um assento no Senado e para o cargo de governador.
A.Edwards--PI