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China ativa ampla zona de exclusão aérea perto de Xangai durante 40 dias
China ativa ampla zona de exclusão aérea perto de Xangai durante 40 dias / foto: Jade Gao - AFP

China ativa ampla zona de exclusão aérea perto de Xangai durante 40 dias

A China ativou uma vasta zona de exclusão aérea para a aviação civil na costa de Xangai — com o dobro do tamanho de Taiwan e em vigor por 40 dias — sem divulgar as razões precisas, segundo uma notificação da agência de aviação dos Estados Unidos FAA.

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Publicado em 27 de março às 08h50 de Brasília, o aviso conhecido como NOTAM (em inglês) entrou em vigor poucas horas depois e permanecerá vigente até 6 de maio. No total, abrange cinco zonas que somam 73.000 km2, localizadas a algumas centenas de quilômetros ao norte de Taiwan.

Os NOTAMs são emitidos para informar pilotos e operadores de aeronaves sobre condições temporárias que podem afetar voos em áreas específicas. Geralmente, são emitidos antes de exercícios militares ou durante eventos excepcionais, como incêndios florestais ou erupções vulcânicas.

Vários analistas observaram que um aviso desse tipo é extraordinário.

Até 8 de abril, a China ainda não havia divulgado as razões por trás desse aviso, no entanto, "não há uso possível que não seja militar" para esse tipo de restrição ao acesso do espaço aéreo, afirma o especialista em segurança marítima Benjamin Blandin. "Pode ser para o lançamento de mísseis, a realização de exercícios aéreos, e assim por diante. Simplesmente não sabemos".

Segundo este pesquisador do instituto INDSR, em Taiwan, é "realmente a primeira vez" que a China restringe o acesso ao espaço aéreo de forma "tão repentina, extensa geograficamente, prolongada em duração e com tão pouca informação".

Analista da Aviation NXT, Xavier Tytelman considerou a restrição "fora do padrão" em termos de escopo, duração e ausência de limites de altitude. Neste caso específico, significa que o "Estado está reservando uma zona específica", explica.

A restrição de acesso aplica-se exclusivamente à aviação civil, e não a aeronaves militares, helicópteros ou drones.

A exclusão abrange duas zonas aéreas ao sul do Mar Amarelo (ou Mar Ocidental)- entre a China e a Coreia do Sul — e outras três situadas entre o Mar Amarelo e o Mar da China Oriental, entre este último país e o vizinho Japão.

"Normalmente, trata-se de algo anunciado com semanas ou meses de antecedência, justificado e explicado", afirma Benjamin Blandin. Além disso, o espaço aéreo reservado possui um limite de altitude "para permitir a passagem de aeronaves comerciais".

As zonas fechadas à aviação civil são separadas por um corredor aéreo de aproximadamente 100 km de largura, facilitando o acesso a Xangai a partir do Mar Amarelo.

- "Negação de acesso" -

Segundo um funcionário de alto escalão na área de segurança em Taiwan, a China está se aproveitando da distração dos Estados Unidos com o conflito no Oriente Médio para expandir sua presença militar ativa e aumentar a pressão na região do Indo-Pacífico.

Para este funcionário, seus objetivos incluem minar a influência militar dos EUA e dissuadir os aliados de Washington na área.

Para Benjamin Blandin, este NOTAM se insere "na sequência de uma série de negações de acesso" e "intensifica a estratégia da China de erodir as fronteiras terrestres e marítimas de seus vizinhos", uma estratégia adotada nos últimos 15 anos.

Xavier Tytelman, ex-operador da Marinha francesa, prevê uma multiplicação dessas operações nos próximos meses e anos como uma forma de "nos fazer baixar a guarda antes de uma ação agressiva".

T.Moore--PI