

Cruz Vermelha denuncia planos de evacuar Cidade de Gaza e Israel endurece cerco
A Cruz Vermelha denunciou neste sábado (30) os planos de Israel de realizar uma evacuação em massa da Cidade de Gaza, enquanto Israel intensifica seu cerco a essa aglomeração com vistas a uma operação militar.
A Faixa de Gaza é cenário de quase 23 meses de conflito entre Israel e o movimento islamista Hamas. Neste sábado, a Defesa Civil local informou 47 mortos em ataques israelenses no território palestino, principalmente na Cidade de Gaza.
Apesar da pressão internacional, o Exército israelense não dá sinais de que vá suspender seus planos de tomar a Cidade de Gaza, que considera como um dos últimos redutos do Hamas.
Embora não tenha chamado explicitamente para evacuar a maior urbe do território palestino, na quarta-feira afirmou que isso é "inevitável".
A presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric, expressou sua preocupação, assegurando que "nas condições atuais, não há possibilidade de que uma evacuação em massa na Cidade de Gaza seja realizada de maneira segura e digna".
Segundo Spoljaric, "a medida daria lugar a um movimento populacional em grande escala que nenhuma zona da Faixa de Gaza poderia absorver, dada a destruição generalizada da infraestrutura civil e a extrema escassez de alimentos, água, alojamento e atendimento médico".
Além disso, afirmou que "muitos (civis) não estão em condições de cumprir ordens de evacuação por causa da fome, doenças, ferimentos ou deficiência".
Segundo uma estimativa da ONU, cerca de um milhão de palestinos se encontram na Cidade de Gaza.
Milhares de habitantes já fugiram da cidade, situada no norte do território devastado pela guerra, que foi desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
- "As pessoas gritavam" -
O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmud Basal, indicou à AFP que 47 pessoas morreram neste sábado "desde o amanhecer nos contínuos bombardeios israelenses sobre a Faixa de Gaza".
Dadas as restrições impostas aos meios de comunicação em Gaza e as dificuldades de acesso no terreno, a AFP não pode verificar de forma independente o balanço da Defesa Civil.
Contactado pela AFP, o Exército israelense não respondeu para comentar esse balanço.
Segundo Basal, entre os falecidos, 12 morreram em um ataque aéreo contra "tendas que abrigavam deslocados" no oeste da Cidade de Gaza.
Um Imad Kaheel, uma mulher de 36 anos que se encontrava perto, disse que entre as vítimas desse ataque, que "fez a terra tremer", há crianças.
"As pessoas gritavam, em pânico, todos corriam, tentando salvar os feridos e recuperar os mártires que jaziam no chão", disse à AFP.
Outras 10 pessoas morreram por disparos israelenses enquanto esperavam receber alimentos perto de centros de distribuição no centro e no sul de Gaza, segundo a Defesa Civil.
Essa organização, que opera sob a autoridade do Hamas, informou na manhã de sábado sobre intensos ataques israelenses contra a Cidade de Gaza.
Um jornalista que trabalha para a AFP e se encontrava no extremo norte da Cidade de Gaza informou que recebeu ordem do Exército para evacuar, acrescentando que as condições têm se tornado cada vez mais difíceis, com disparos e explosões.
- "Nenhum lugar seguro" -
"Os bombardeios [desta noite] foram uma loucura, não pararam nem um segundo e não pudemos dormir", disse Abu Mohammad Kishko, contatado pela AFP por telefone.
Esse homem de 42 anos afirmou que continua na Cidade de Gaza porque "não há nenhum lugar seguro" na Faixa.
O conflito começou com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que causou a morte de 1.219 pessoas, em sua maioria civis, segundo um balanço baseado em números oficiais. Os milicianos sequestraram 251 pessoas.
Dos 47 reféns que permanecem cativos na Faixa de Gaza, estima-se que cerca de vinte ainda estejam vivos.
Em Gaza, a ofensiva israelense já matou 63.371 pessoas, em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território palestino — governado pelo Hamas —, considerados confiáveis pela ONU.
A.Allen--PI