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Polícia usa jatos d'água em segunda noite de protestos anti-imigração na Irlanda do Norte
Polícia usa jatos d'água em segunda noite de protestos anti-imigração na Irlanda do Norte / foto: Henry NICHOLLS - AFP

Polícia usa jatos d'água em segunda noite de protestos anti-imigração na Irlanda do Norte

A polícia usou jatos d'água nesta quarta-feira (10) para dispersar manifestantes anti-imigração perto da capital da Irlanda do Norte, palco pelo segundo dia consecutivo de distúrbios, após um ataque a faca pelo qual um refugiado sudanês foi indiciado.

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Mais de 100 pessoas se mobilizaram em vários pontos de Belfast. A situação ficou tensa no começo da tarde em uma rua de Glengormley, ao norte da cidade, onde a AFP observou um forte efetivo policial.

Os manifestantes atiraram tijolos e garrafas de vidro contra as forças de segurança e incendiaram ao menos um contêiner de lixo, segundo a polícia, que usou jatos d'água para dispersar a multidão.

No centro de Belfast, não houve violência, ao contrário da véspera, quando eclodiram os atos anti-imigração, após um ataque a faca na noite de segunda-feira na cidade. A vítima da agressão, identificada como Stephen Ogilvie, perdeu um dos olhos e está internada em estado estável, informou na noite desta quarta-feira sua família, em comunicado divulgado pela polícia, no qual expressou “repulsa” diante das cenas de violência da véspera.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou os distúrbios como “chocantes” e “completamente inaceitáveis”. A polícia da Irlanda do Norte anunciou a mobilização de mais agentes. Reforços procedentes do restante do Reino Unido devem chegar nesta quinta-feira.

- Pichações islamofóbicas -

A agressão contra Ogilvie, condenada de forma unânime pela classe política britânica, provocou convocações para manifestações por figuras da extrema direita, como o ativista Tommy Robinson, e o bilionário Elon Musk.

Apesar dos apelos pela calma, a tensão era palpável na noite desta quarta em Belfast: muitas lojas e restaurantes haviam fechado, e as ruas estavam desertas, constataram jornalistas da AFP.

Também eram visíveis pichações islamofóbicas em diversos muros e portas metálicas de estabelecimentos comerciais no bairro onde um ônibus foi incendiado na terça-feira. Moradores relataram à AFP sua perplexidade.

Uma moradora de 28 anos, que não quis revelar o sobrenome, afirmou ter visto "janelas quebradas e carros incendiados". "É triste", acrescentou.

Outra moradora, que também preferiu não se identificar, disse compreender a "raiva" dos manifestantes, mas lamentou que agora todos "os estrangeiros" estejam sendo colocados no mesmo grupo.

Até o momento, houve três prisões e "haverá mais", anunciou o secretário de Estado britânico para a Segurança, Dan Jarvis.

Os atos violentos começaram após a divulgação de um vídeo do ataque com faca ocorrido na segunda-feira, que mostrava o agressor sentado sobre um homem caído no chão e ensanguentado, desferindo golpes contra ele.

A ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, denunciou o "racismo" por trás da violência e acusou aqueles que, nas redes sociais, "instrumentalizaram o medo legítimo que as pessoas sentem diante dos acontecimentos".

Na noite de quarta-feira, a polícia informou que divulgar nas redes sociais endereços de estrangeiros pode "constituir uma infração penal".

- Motivações não esclarecidas -

O suspeito do ataque com arma branca, Hadi Alodid, um sudanês de 30 anos, compareceu na manhã de quarta-feira diante de um juiz em Belfast.

Acusado, entre outros crimes, de tentativa de homicídio, ele recusou a presença de um advogado e contou com o auxílio de um intérprete de árabe. Após a audiência, permaneceu detido até uma nova comparecência marcada para 8 de julho.

As autoridades informaram que ele entrou na Irlanda do Norte em 2023 de ônibus vindo da Irlanda, procedente da França. Ao chegar, obteve o status de refugiado, com autorização de residência até 2028.

As motivações do ataque permanecem incertas, mas a polícia da Irlanda do Norte descartou a hipótese de terrorismo.

Figuras de partidos de extrema direita, como o Reform UK, de Nigel Farage, e o Restore Britain, de Rupert Lowe, atribuíram os acontecimentos às políticas migratórias do governo trabalhista e de seus antecessores conservadores.

Protestos anti-imigração violentos ocorreram nos últimos dois anos na Irlanda do Norte e em outras partes do Reino Unido.

Southampton foi palco, há uma semana, de uma manifestação marcada por episódios de violência para denunciar a atuação da polícia local no caso do assassinato, em dezembro, do estudante branco Henry Nowak por um jovem asiático.

Além de Belfast, ocorreram manifestações anti-imigração na terça-feira em Southampton e nas cidades escocesas de Glasgow e Edimburgo.

Em Glasgow, três homens foram presos e acusados após atos violentos durante os quais várias pessoas foram "agredidas pela cor de sua pele", segundo a polícia.

J.Collins--PI