Colonos israelenses agridem fotógrafa americana que cobria violência na Cisjordânia
Colonos israelenses atacaram nesta sexta-feira (16) uma fotojornalista americana que trabalha para o The Washington Post e cobria a violência contra agricultores palestinos que cultivam oliveiras na Cisjordânia ocupada.
A fotógrafa Heidi Levine foi levada a um hospital em Ramallah após o ataque. Fotos da AFP a mostram deitada em uma maca, com ferimentos em uma perna e em uma das mãos.
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a poucos dias de eleições nas quais busca o apoio dos colonos, insistiu que as circunstâncias do incidente não estavam claras. Seu principal adversário eleitoral, Gadi Eisenkot, por outro lado, expressou forte repúdio ao ataque.
Um funcionário do Departamento de Estado americano afirmou que Washington condena "a violência criminosa por parte de qualquer ator na Cisjordânia" e pediu "que os responsáveis sejam levados à Justiça".
O funcionário acrescentou que o departamento entrou em contato com o The Washington Post para oferecer assistência consular.
De seu leito no hospital, Levine disse a jornalistas, incluindo um da AFP, que "mais de 50" colonos mascarados e armados com paus a atacaram de repente enquanto trabalhava perto dos vilarejos palestinos de Abu Falah e Turmus Ayya, no centro da Cisjordânia.
O Washington Post ressaltou que Levine estava claramente identificada como membro da imprensa tanto na parte da frente quanto na de trás do colete. O jornal americano se declarou "indignado com esse ataque injustificado" e pediu uma "investigação séria".
Em comunicado, o Exército israelense afirmou que interveio após receber uma denúncia sobre um "confronto violento" e confirmou que uma "jornalista ficou ferida". A polícia israelense abriu uma investigação sobre os incidentes.
A ONG Repórteres sem Fronteiras denunciou uma "violência sem pudor" que "mostra a impunidade com que agem os colonos judeus extremistas, muitas vezes com a proteção das Forças Armadas israelenses".
A associação de imprensa que representa os veículos internacionais em Israel e nos territórios palestinos afirmou que os colonos roubaram o passaporte, o telefone, a carteira e o equipamento de Levine.
A violência se intensificou nos últimos meses na Cisjordânia, com ataques, roubos ou atos de vandalismo quase diários de colonos israelenses contra palestinos.
No começo de outubro, colonos espancaram um fotógrafo da AFP que fazia uma reportagem sobre a colheita. Jornalistas palestinos e estrangeiros também foram agredidos na região. Em julho, colonos atacaram uma equipe da rede americana CNN perto de Ramallah.
Sem contar Jerusalém Oriental, cerca de 3 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia, território ocupado desde 1967, ao lado de mais de 500 mil israelenses que residem em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional.
Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), o número de ataques de colonos aumentou a cada ano desde o ataque sem precedentes do Hamas em 8 de outubro de 2023, chegando a 1.835 no ano passado. Somente nos primeiros quatro meses de 2026, foram registrados uma média de 190 ataques por mês.
T.Thomas--PI