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Papa chega ao Camarões na segunda escala de sua viagem à África
Papa chega ao Camarões na segunda escala de sua viagem à África / foto: Daniel Beloumou Olomo - AFP

Papa chega ao Camarões na segunda escala de sua viagem à África

O papa Leão XIV chegou ao Camarões nesta quarta-feira (15) para uma visita de três dias, na segunda escala de sua viagem à África, durante a qual visitará uma das áreas mais violentas do país para enviar uma mensagem de paz.

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Leão XIV aterrissou pouco antes das 14h GMT (11h de Brasília) no aeroporto de Yaoundé, vindo da Argélia, onde sua viagem foi ofuscada por um duplo atentado suicida a aproximadamente 40 km de Argel, onde estava, e pelas críticas do presidente americano, Donald Trump.

Ele tem previsto se reunir na capital camaronesa com o presidente Paul Biya, de 93 anos, decano dos chefes de Estado do mundo. Depois, fará um discurso para as autoridades e o corpo diplomático no Palácio da Unidade.

Instrumentos de percussão e cantos dos coros ressoaram em frente ao aeroporto de Yaoundé, onde milhares de camaroneses se reuniram debaixo de um sol forte para receber o papa.

"Esperamos que, enquanto pisar o solo camaronês, a guerra pare", disse à AFP Bénédicte Bélinka, vestida com um tecido com a efígie do papa.

Na quinta-feira, o pontífice viajará para a cidade de Bamenda, no noroeste do país, epicentro da insurgência separatista, onde vai orar pela paz diante de milhares de fiéis.

Esta região anglófona é cenário de confrontos entre forças governamentais e grupos separatistas, que deixaram milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados.

Na segunda-feira, grupos separatistas anunciaram uma trégua de três dias nos combates a partir desta quarta-feira para receber o papa com segurança na região, onde vivem quase 20% da população.

Tatah Mbuy, sacerdote em Bamenda, viajou até a capital para receber o pontífice. "É uma oportunidade de ouro. Cada camaronês espera que o papa venha pregar a paz", assegurou.

- Alcançar uma "solução pacífica" -

No Camarões, país da África Central onde cerca de 37% de seus 30 milhões de habitantes são católicos, a Igreja desempenha um papel de mediação e administra uma grande rede de hospitais, escolas e obras beneficentes.

Leão XIV, de 70 anos, também tem previsto visitar um orfanato católico e em seguida vai celebrar um encontro privado com os bispos do país.

O conflito no país começou em 2017 após a repressão aos protestos e opõe separatistas que proclamaram a "República da Ambazônia" ao governo central.

Encurralados, os civis se tornaram alvo de extorsões, violência, sequestros e assassinatos. Ao menos 6.000 deles morreram desde 2016, segundo a ONU.

Leão XIV fará um discurso e celebrará uma missa no aeroporto da cidade de Bamenda, que foi reformado para a ocasião.

"Enquanto o papa pisar na terra de Bamenda, queremos paz, todos os assassinatos e sequestros devem cessar", disse à AFP Giovanni Mbuna, fiel de 36 anos que foi sequestrado por separatistas em 2023.

"A visita do papa abrandará o coração dos extremistas para que possamos encontrar um terreno de entendimento (...) e alcançar uma solução pacífica", afirmou, por sua vez, Andrew Fuanya Nkea, arcebispo de Bamenda e presidente da Conferência Episcopal do Camarões.

A visita do papa ao país se encerrará na próxima sexta-feira em Duala, a capital econômica do país, onde celebrará uma missa em um estádio com capacidade para milhares de pessoas.

A viagem de Leão XIV pela África começou na segunda-feira na Argélia, onde o papa permaneceu por dois dias. Ali, o sumo pontífice instou que se continue o "diálogo" com os muçulmanos e fez um chamado ao "perdão" diante do Monumento dos Mártires, vítimas da sangrenta guerra da independência contra a França (1954-1962).

O líder do 1,4 bilhão de católicos do mundo continuará seu périplo de 18.000 km em Angola e Guiné Equatorial, até 23 de abril.

C.Carter--PI